Eu vim o caminho todo engolindo o choro, lembrando da frieza com a qual aquelas palavras me atingiram, foi triste pra mim e eu queria sentir, sentir muito, pra que fosse embora, não queria esconder ou abafar meu sentimentos; mas também não queria que ninguém me visse chorar; então ao chegar ao portão soltei, meus olhos marejaram e senti a tristeza; em casa, mandei a mensagem dele pra uma amiga, ela não viu frieza; viu praticidade e objetividade; acho que é ainda mais duro quando tudo o que você viveu aconteceu somente na sua cabeça, porque você não tem respaldo nem pra sofrer; mas os sentimentos estão ali; Dói duas vezes então, uma porque sabe que foi você que criou e sente-se inadequado, louco, bobo, idiota, sozinho, outra pela tristeza de fato de ver quem você queria que ficasse partir; ele foi real e me apaixonei no segundo que o vi, e conversamos por uma semana, descobrimos coisas em comum, mas foi intenso demais pra mim e ele não queria, jantamos e ele veio pegar o livro que disse que era bom, meu livro que amo tanto, me pergunto porque eu fiz isso e cravei um lembrete pra nunca mais emprestar meus livros para potenciais pretendentes, agora não sei quando o verei novamente, e se o verei, falo do livro; com as minhas anotações, posso comprar outro, mas queria mesmo era não ter emprestado; agora é isso, o fim das coisas sempre tem um amargo sentimento triste, mas sinto que algo melhor está por vir, e uma lição fica: sinais podem se cumprir e ainda assim não ser o que você espera, o corpo pode sentir algo por alguém e ainda assim não ser a pessoa que vai ficar, ele pode te chamar pra sair e dizer que gosta de te ouvir, mas perceber que não quer continuar, pensamentos e projeções de futuro com quem você está apenas conhecendo, podem te levar a luto grande pela perda daquilo que imaginou, que você com certeza pode gostar sozinho enquanto o outro não;
Nota: eu sei que não foi amor ou algo bom no geral, mas eu queria muito que fosse e isso bastou pra mim, para forçar tudo o que eu forcei, ao invés de só observar o que ele sentia; me sinto tola, desesperada; fui ansiosa, intensa, forcei a barra pra ele e pra mim, e o triste é que ainda continuo me culpando por algo que precisa de dois pra acontecer; a cada fim parece que fui eu que fiz algo de errado; espero um dia poder apenas observar o outro, ser gentil, mas não projetar minhas expectativas e só observar o que ele me faz sentir, espero um dia ser curada das indignidades da minha infância, do buraco que eu não abri mas que tijolinho à tijolinho tenho fechado, com o Senhor e as sessões de terapia; por ser esclarecida tenho consciência das minhas carências, dores e sei porque elas estão ali, mas nem sempre consigo gerenciar elas e dói muito;
